Agricultores (as) de Bituruna – PR visitam agricultores de Porto União que usam o Pó de Basalto no cultivo de hortaliças

No último dia 16 de setembro, agricultores familiares assentados da reforma agrária do município de Bituruna –PR, acompanhados do técnico Gelson Vieira da Cooper-iguaçu, visitaram no município de Porto União –SC experiências com o pó de basalto – Ekosolos. Na parte da manhã, este grupo acompanhado do técnico da Ekosolos o biólogo Fabio Pereira, visitaram o 1º moinho para moagem do pó de basalto, este instalado na chácara do professor Bernardo Knapik, na colônia Antônio Candido. Puderam conhecer este moinho protótipo, uma horta ecológica e diversas explicações sobre o uso do pó de basalto na agricultura.

 

Já na parte da tarde visitaram a família do agricultor Janio, produtor de hortaliças há mais de 20 anos na área industrial de Porto União. Conheceram também o sistema de produção com estufas, no cultivo de alface, morango, rúcula, cebolinha, salsinha, brócolis, couve, couve flor, repolho, cenoura e outras. Acompanharam também a demonstração de como o agricultor prepara os canteiros utilizando o pó de basalto e esterco de aves, sendo estes os insumos que o agricultor Janio utiliza para fertilizar sua horta.

Brasil deve produzir 72 milhões de toneladas de milho em 2014

Ele contextualizou o tema apresentando os dados do Brasil, que ficou em quarto lugar no ano de 2013 – na produção mundial – com 81 milhões de toneladas. A expectativa de produção para este ano é de 72 milhões de toneladas. Destas, 8 milhões serão provenientes do estado de Goiás, sendo 3 milhões na safra de verão e 5 milhões na segunda safra.

Pedro explicou que do total produzido em 2013, o Brasil exportou 26 milhões de toneladas, sendo esta a maior exportação de milho já realizada pelo país. O Brasil também teve um consumo interno de 54 milhões de toneladas, ficando com um estoque final de 9 milhões de toneladas. “Quando há muito estoque o preço do grão tende a cair, já que a oferta é muito grande. Ao contrário, quando ó estoque é pequeno, o preço sobe. O ideal é que a relação estoque/consumo fique em torno de 15%”, pontuou Arantes. Quanto ao estoque em 2014, a estimativa é que fique em torno dos 9 milhões de toneladas, o que, segundo Pedro, coloca o Brasil em uma posição confortável quanto ao fornecimento do grão.

O analista ressalta que o nível de estoque estimado em 9 milhões poderá sofrer uma reduçaõ e cair para até 4 milhões de toneladas. Tudo devido a problemas climáticos que já afetaram o início do plantio.

De acordo com Arantes, frente ao aumento da competitividade do milho brasileiro no mercado externo, o país passou a figurar como um grande exportador do grão, mesmo com todas as dificuldades de escoamento. Outro fator citado por Arantes foi o aumento da produção no ano passado diante do sucesso da 2ِª safra. “Poucos países podem produzir uma segunda safra devido às condições do clima. Aqui colhemos essa segunda safra quando temos pouco milho no mercado, o que aumenta ainda mais nossa competitividade”.

Fatores baixistas e altistas

Durante a palestra, Pedro apresentou os fatores altistas e baixistas para o comércio do milho, ilustrando os principais pontos que os produtores devem ficar atentos nos próximos meses. Como fatores baixistas, Arantes citou a demanda interna norte-americana possivelmente superestimada, a robusta safra no Brasil e em outros lugares do mundo e os estoques norte-americanos que estarão recompostos em 2014, pressionando negativamente os preços do milho.

Já como fatores altistas, Pedro citou a maior capitalização dos produtores brasileiros, que podem segurar o produto por mais tempo, elevando os prêmios no mercado interno. Aliado a isso temos a demanda de exportação que vem ganhando cada vez mais espaço no país e a expectativa de manutenção nas altas taxas de câmbio.

Receptividade

Para o produtor Leomar Cenci, a iniciativa é muito importante, já que o produtor costuma ficar mais focado com assuntos “da porteira para dentro” e às vezes esquece de olhar para o futuro do mercado. “Tudo o que diz respeito a informação, e neste caso, a orientação para a comercialização pode ajudar muito o produtor rural. Informação agrega valor à produção”.

Mas nem só produtores encheram o espaço La Brise nesta segunda. Estudantes de áreas ligadas aoagronegócio também marcaram presença no evento e disseram estar cientes da importância de ficarem sempre bem informados. A estudante do 1º período de Agronomia, Nayara Gabriela Macedo, faz o curso em Planaltina e declarou que foi até Formosa para conhecer um pouco mais sobre a área de grãos.

Soja tolerante à seca pode estar disponível no mercado em cinco anos

A semente de soja com gene tolerante à seca poderá estar disponível no mercado em cinco anos. A previsão foi feita no dia 19 de fevereiro de 2014 pelo professor Márcio Alves Ferreira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em palestra apresentada no Centro de Estudos e Debates Estratégicos (Cedes) da Câmara dos Deputados. Após os estudos realizados em laboratório, as plantas deverão ser testadas em campo e, depois, dependerão de liberação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para sua comercialização.

Ferreira é responsável pelas pesquisas do projeto Genosoja, que pretende viabilizar o cultivo de soja em áreas com escassez de água, como as regiões do semiárido. O pesquisador demonstrou como pode ser possível, por meio da biotecnologia, a transferência dos genes do café tolerantes à seca para outras espécies cultivares, como o algodão, a cana de açúcar, o feijão, o arroz e a soja. Ele ressaltou que a previsão da disponibilidade de cinco anos para o mercado vale apenas para a soja, cujos estudos estão mais avançados.

Segundo o professor, a tolerância da soja à seca vai ampliar as fronteiras agrícolas e viabilizar terras não utilizadas, ou subutilizadas, por causa da falta dágua. “A soja poderá ser cultivada em outras regiões, além do Centro-Sul”, afirmou.

De acordo com o pesquisador, em uma situação adversa, com redução de 50% da quantidade de água, a planta pode crescer sem prejuízo de suas qualidades funcionais, como se estivesse em condições normais. Para Ferreira, o gene tolerante à seca poderá ser inserido futuramente em qualquer espécie, como em hortaliças.

Histórico da pesquisa

Márcio Ferreira apresentou o projeto original que descobriu um gene tolerante à seca presente no café, protegendo a planta contra a falta dágua. O trabalho gerou o registro de uma patente pela UFRJ e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e a pesquisa agora está sendo utilizada para a obtenção de outras espécies cultivares tolerantes à seca a partir da manipulação genética.

Segundo o professor, a seca é um dos principais problemas que a agricultura enfrenta, podendo levar a uma redução de até 80% de sua produção em áreas não irrigadas. “Hoje, 70% de toda água utilizada pela humanidade é destinada para a agricultura, e 40% de todo o alimento obtido é dependente de irrigação. O aquecimento global irá desencadear eventos mais extremos de seca e a biotecnologia vegetal pode ser a solução para diminuir as perdas na agricultura”, afirmou o pesquisador.

Benefícios

Para o presidente do Cedes, deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), a comercialização dessas espécies cultivares vai trazer mais rentabilidade para o agronegócio e para a agricultura familiar. “O fundamental dessa pesquisa é permitir que aquele agricultor do semiárido possa ficar no local onde vive, sem precisar migrar ou fugir para a cidade para viver em situação social precária”, afirmou.

O parlamentar defendeu que o semiárido tenha acesso aos benefícios das espécies modificadas geneticamente o quanto antes. Oliveira disse que o Cedes dará continuidade aos estudos sobre a convivência do homem com a seca.

Cedes

O Centro de Estudos e Debates Estratégicos é um fórum de debates que subsidia a formulação de leis e auxilia os parlamentares no trato de matérias do processo legislativo, de interesse da Casa ou de suas comissões. Entre os últimos estudos desenvolvidos pelo Cedes estão: Minerais Estratégicos e Terras-Raras; Instrumentos de Gestão das Águas; Mobilidade Urbana; e Capital Empreendedor.

FONTE

Agência Câmara
Reportagem — Luiz Gustavo Xavier
Edição — Marcos Rossi

Pesquisas buscam aumentar a produtividade do agronegócio de forma sustentável

Como a pesquisa pode contribuir para o desenvolvimento do agronegócio de forma mais sustentável? Nos 35 laboratórios da Embrapa Agrossilvipastoril em Sinop, no Mato Grosso, estudos buscam alternativas para aumentar a produtividade sem degradar o meio ambiente. Os principais temas pesquisados são: mudanças de clima, liberação de carbono em solos tropicais, saúde animal, produção de sementes e controle de pragas.
Assista ao video abaixo e fique melhor informado.

Comitê quer ampliar produtividade da soja em 20 sacas por hectare

O Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB) quer aumentar a produtividade média da soja no Brasil em 20 sacas por hectare, passando de 47 sacas por hectare para 67 sacas por hectare. Para isso, está desenvolvendo um trabalho de pesquisa voltado para o estudo dos casos de sucesso de produtores de várias regiões do país que conseguiram ganhos significativos no rendimento de suas lavouras.

A informação foi divulgada na tarde de quarta-feira (22), pelo diretor-executivo do CESB, o engenheiro agrônomo Orlando Martins, durante palestra no Showtec, que a Fundação MS promove em sua sede em Maracaju, a 162 quilômetros de Campo Grande, até sexta-feira (24).

Martins disse que uma das ferramentas deste trabalho é o Desafio Nacional de Máxima Produtividade da Soja, que foi criado pelo conselho na safra 2008/2009, com o objetivo de estimular os produtores a adotarem práticas de manejo de suas lavouras que promovam esse incremento.

Ele disse que, no ciclo passado, o campeão do desafio foi o produtor Hans Jan Groenwold, de Castro (PR), que conseguiu uma produtividade de 110,5 sacas de soja por hectare.

“No primeiro ano do desafio tivemos 140 inscritos e nenhuma área com produção acima de 90 sacas por hectare. Na safra passada tivemos 1.198 inscritos e 22 produtores com produtividade acima de 90 sacas por hectare. Daqui a algum tempo teremos um número tão grande de produtores que têm elevadas taxas de produtividades que poderemos estudar quais as ações e práticas que eles adotaram e que os conduziram para chegar a esses resultados”, explica.

O diretor-executivo do CESB comentou ainda que a preocupação em ter 90 sacas por hectare como patamar para mensurar os resultados ocorre porque no cálculo da média nacional serão levados em contas as mais altas e as mais baixas produtividades do país. “Para elevarmos a média para 67 sacas por hectare, teremos que ter pelo menos um grande número de produtores com 90 sacas por hectare na ponta de cima, porque na de baixo teremos aqueles que não vão passar das 50 sacas por hectare”, comenta.

Ao aumentar a produtividade, Martins explica que os produtores também terão um ganho significativo na rentabilidade. “Um estudo apontou que com 47 sacas de soja por hectare, o produtor tem um lucro líquido de 15 sacas, já com média de 67 sacas de soja por hectare, esse lucro sobe para 30 sacas, o que é muito expressivo”, concluiu.

Pó de basalto usado como fertilizante surpreende produtores de mudas no Vale do Caí

A observação de que um tomateiro plantado em um caminho de britas se desenvolvia bem e produzia mais que outros deu início a uma experiência que está surpreendendo os produtores de mudas de Pareci Novo, no Vale do Caí. Orientados pelo agrônomo da Emater/RS-Ascar, Gilnei Galvagni, pelo menos 15 agricultores estão usando pó resultante da britagem do basalto como fertilizante. Os minerais existentes na rocha são os mesmos encontrados em adubos químicos e servem para melhorar as condições nutritivas do solo. A base da experiência é bastante simples: pelo menos um quilo do pó por metro cúbico de substrato usado para o cultivo das mudas de flores, temperos, chás e árvores.

“Sabia que teríamos resultados positivos, mas não tão expressivos como os que estamos observando”, comemora Galvagni. Os benefícios a que o técnico se refere podem ser vistos principalmente nas raízes. O sistema radicular se desenvolve mais. Com isso, a planta vai ter melhores condições de absorver os nutrientes e, conseqüentemente, folhas e flores mais fortes, espessas e vistosas. No basalto, o dióxido de silício é um dos elementos químicos encontrados em maior quantidade e é o responsável por esses benefícios. Além disso, contribui para o controle de pragas e doenças.

Há 12 anos, Vilmar José Silvestrim é produtor de mudas de flores e folhagens e a partir de agora, um entusiasta do pó de brita. “Já estou usando em todas as 17 variedades de plantas que produzo porque os resultados são ótimos, as mudas têm mais resistência, são mais sadias, não é preciso aplicar fungicidas. Também ficam padronizadas, com o mesmo tamanho”, descreve. Já o produtor de mudas de eucalipto Sérgio Lauermann está experimentando o pó em um milhão dos 10 milhões de mudas que produz a cada ano e a rapidez no desenvolvimento das plantas é evidente. “As que receberam o produto estão maiores e com mais plantas, sem falar na grande quantidade de raízes que apresentam, o que vai facilitar seu rápido desenvolvimento no solo”, afirma.

O objetivo inicial de Galvagni era utilizar o pó de brita em culturas perenes, como a citricultura, tradicional no município. O primeiro passo nesse sentido está sendo dado pelo produtor de mudas citrícas Paulo Fernando Braga. Em três metros de lavoura foram espalhados três quilos do produto sobre a terra e os resultados logo apareceram, com o aparecimento de folhas mais cedo e com mais cor verde e resistência. Ao comparar as raízes das plantas que receberam o complemento com as que não receberam observa-se a maior diferença, pois o sistema radicular das primeiras é muito mais desenvolvido.

Os produtores aguardam, agora, a maior disponibilidade do pó de brita para ampliar o uso. O produto usado na experiência foi obtido gratuitamente em uma empresa de britagem em Montenegro, que já está se preparando para suprir essa demanda e desenvolveu um sistema para aspirar o pó resultante do processo e separá-lo do restante dos subprodutos. O agrônomo da Emater/RS-Ascar explica que o tipo de solo da região é um fator importante para o sucesso obtido. “Aqui temos um solo de arenito, o que faz com que o basalto atue como um complemento. A matéria orgânica abundante existente nos substratos para produção de mudas é um ativador dos princípios do pó de basalto”, diz Gilnei Galvagni. O extensionista esclarece que o pó é um complemento dos adubos já usados nas plantações e não um substituto.

Fonte: Emater/RS

ANO MUNDIAL DA AGRICULTURA FAMILIAR É LANÇADO PARA FORTALECER COMBATE À FOME

Ano Mundial da Agricultura Familiar é lançado para fortalecer combate à fome

Potencializar a agricultura familiar é o meio mais eficaz de se combater a fome e a pobreza. Partindo dessa premissa, foi lançado na última sexta-feira, 22 de novembro, o Ano Internacional da Agricultura Familiar (AIAF-2014). Em todo o mundo, 70% dos alimentos produzidos são provenientes da agricultura familiar, e cerca de 40% das famílias do planeta vivem desta prática.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a agricultura familiar “é uma forma de organização de produção agrícola e silvícola, como a pesca, a pecuária e a aquicultura, que é gerida por uma família e que, em sua maior parte, depende da mão de obra familiar, tanto das mulheres como dos homens. A família e a produção estão vinculadas e combinam funções econômicas, ambientais, reprodutivas, sociais e culturais”.

Nos países desenvolvidos, como nos em desenvolvimento, mais de 500 milhões de produções familiares geram os alimentos que nutrem bilhões de pessoas. Em muitos países em desenvolvimento, a agricultura familiar chega a representar uma média de 80% de todas as produções agrícolas.

De acordo com o Fórum Rural Mundial (FRM), que coordena o AIAF-2014, o programa vai promover um amplo debate, além de fomentar a cooperação a nível nacional, regional e mundial para aumentar o conhecimento e compreensão dos desafios que os pequenos agricultores enfrentam, além de ajudar a identificar métodos eficazes de apoio aos agricultores familiares.

Para o coordenador do programa do AIAF-2014, José Antonio Osaba, “a forma mais eficaz de derrotar a fome e a má nutrição é produzir os alimentos perto de onde vivem os consumidores, trabalho exclusivo da agricultura familiar, não dos grandes produtores”. Na opinião do coordenador, para potencializar o trabalho dos milhões de agricultores familiares no mundo, “é necessário que os governos garantam o acesso protegido à terra, a água, ao mar e aos demais recursos, além de reconhecer o direito dos povos de produzir os próprios alimentos”.

Em seu discurso no lançamento do AIAF-2014, o diretor geral da FAO, José Graziano da Silva, destacou o enorme potencial produtivo da agricultura familiar. “Ao optar por celebrar o AIAF, reconhecemos que os agricultores familiares são peças chave para dar uma resposta à urgência que afronta o mundo hoje em dia: a melhora da segurança alimentar e a conservação dos recursos naturais”.

Apoiada por mais de 360 organizações da sociedade civil dos cinco continentes, o AIAF-2014 tem como objetivo destacar a importância da agricultura familiar, concentrando a atenção do mundo sobre seu papel primordial na mitigação da fome e da pobreza, na contribuição para a segurança alimentar e a nutrição, na melhora dos meios de vida, na gestão dos recursos naturais, na proteção do meio ambiente e no desenvolvimento sustentável, especialmente nas zonas rurais

Pó de rocha como fertilizante reduz custos agrícolas, dizem especialistas

A utilização de pó de rocha como fertilizante e corretivo do solo é uma alternativa para o país reduzir custos de produção da agricultura e romper com a atual dependência de insumos importados, sem comprometer a produtividade das lavouras. A adoção da prática, conhecida como rochagem, foi defendida por todos os especialistas reunidos nesta terça-feira (7) em debate na Comissão de Meio Ambiente (CMA).
 
Conforme explicaram os pesquisadores, rochagem é a incorporação de rochas moídas ao solo, como forma de tornar a terra menos ácida e mais fértil. Quando aplicados no solo, os diferentes minerais existentes nas rochas também ajudam a recuperar solos pobres e a renovar a fertilização das áreas de exploração agrícola.
 
Antes do plantio das lavouras em 2011, os agricultores brasileiros jogaram na terra cerca de 28,3 milhões de toneladas de fertilizantes químicos, sendo que mais de 70% foram importados. Essa dependência – em especial de nitrogênio, fósforo e potássio (NPK), base da adubação no modelo agrícola predominante no país – está no centro das preocupações dos especialistas e senadores que participaram do debate.
 
Conforme alerta da pesquisadora Suzi Theodoro, do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (CDS/UNB), qualquer interrupção nesse mercado de fertilizantes convencionais, seja por disputas comerciais ou por eventual envolvimento do Brasil em conflito geopolítico com países fornecedores, a produção agrícola brasileira estará comprometida.
A preocupação foi compartilhada pelos senadores Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Jorge Viana (PT-AC), Sérgio Souza (PMDB-PR) e Ana Rita (PT-ES). Para Rollemberg, que preside a CMA, desenvolver a produção nacional de fertilizantes é uma estratégia de proteção da economia brasileira.
 
– Para um país que tem grande parte da sua balança comercial sustentada na agricultura, essa dependência afeta a soberania nacional. Investir em alternativa como a rochagem, para substituir parte da fórmula de nitrogênio, fósforo e potássio, é condição para a segurança alimentar – disse Rollemberg.
 
Sustentabilidade
A favor da rochagem, Cláudio Scliar, Secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia (MME), destacou a grande diversidade geológica do país, com a presença em todas as regiões de rochas que se prestam à utilização como fonte de nutrientes para a produção agrícola.
 
No mesmo sentido, Carlos Silveira e Éder Martins, ambos pesquisadores da Embrapa, apontaram vantagens da utilização regional das reservas minerais para reduzir custos de transporte e dinamizar a agricultura local.
 
Martins disse considerar a rochagem uma alternativa não apenas frente à elevação do preço dos fertilizantes químicos, mas também por ser uma prática que aumenta a disponibilidade de um conjunto de nutrientes, e não apenas de NPK.
 
– A proposta da rochagem é repor minerais a partir das rochas que deram origem a esses solos, é recompor com minerais primários – disse.
 
Para os pesquisadores, o tempo maior de liberação de nutrientes a partir do pó de rocha, em comparação com adubos químicos, é uma vantagem da rochagem, e não um problema, como dizem os críticos.
 
Suzi Teodoro comparou as fórmulas de NPK com anabolizantes: geram o resultado imediato de tornar a terra produtiva para a safra, mas não sustentam a fertilidade nos anos seguintes. Já na rochagem, os nutrientes são retidos por mais tempo, sendo mais bem aproveitados pelas plantas e mantendo bons níveis de fertilidade.
 
Em resposta a questionamento de Rollemberg sobre impactos ambientais da rochagem, Suzi Teodoro ponderou que a prática pode ser um destino para rejeitos hoje produzidos pela exploração mineral realizada no país. – Enquanto o problema da mineração é armazenar esses subprodutos, a agricultura tem carência de fertilizantes. Com a rochagem, o problema da mineração se torna a solução da agricultura – observou a pesquisadora.
 
Legislação
A expansão do uso do pó de rocha no Brasil esbarra na falta de normas para registro dos produtos. Rubim Gonczarovska e Mariana Coelho de Sena, fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura, explicaram que o produto não se encaixa nos parâmetros existentes, sendo enquadrado com produto novo, que precisa passar pelos trâmites legais para ser passível de registro.
Para simplificar as normas de comercialização do pó de rocha, o governo estuda flexibilizar o Decreto 4.954/2004, que trata da fiscalização e do comércio de fertilizantes e corretivos de solo. Ao final do debate, Rollemberg informou que a comissão buscará contribuir no processo de atualização da norma.
 
Fonte: Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)