Objetivos do desenvolvimento sustentável no Antropoceno

Paulo Artaxo é professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo – Francisco Emolo/USP

Paulo Artaxo é professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo – Francisco Emolo/USP

Nosso planeta está passando por uma série de processos de transformação muito fortes e rápidos, com o potencial de dificuldades importantes para as gerações futuras em termos de viabilidade como sociedade sustentável.
 
Certamente estamos caminhando neste início de Antropoceno a um planeta com clima mais instável e violento, além da evidente escassez de recursos naturais. E somos nós que estamos promovendo tais mudanças, muitas das quais sequer nos demos conta.
 
Nosso planeta Terra tem uma história longa, de cerca de 4,5 bilhões de anos. O homem moderno só apareceu muito recentemente (200 mil anos atrás), e a civilização tal qual a conhecemos hoje existe há apenas 6 mil anos, minúsculo intervalo na Vida de nosso planeta.
 
Foi, contudo, nesse último milênio, que o nosso planeta passou por mudanças significativas, estando hoje muito diferente do que era àquela época.
 
Mudanças no uso do solo em larga escala tiveram início no desenvolvimento da agricultura, inicialmente em pequena escala, mas que hoje tomou proporções planetárias.
 
A partir do século XIX, o homem descobriu que queimar carvão, petróleo ou gás natural poderia produzir trabalho mecânico, e com esta descoberta na Inglaterra teve início a revolução industrial, que tantos progressos trouxe à humanidade.
 
Porém, com o progresso vieram também os problemas, e um deles é o uso excessivo de recursos naturais como água, minerais, combustíveis fósseis e outros, que são finitos.
 
Com uma crescente população de 7 bilhões de pessoas em 2016, cuja estimativa é que tenhamos cerca de 10 bilhões de pessoas em algumas décadas, é fundamental pensarmos na sustentabilidade do planeta a longo prazo.
 
Certamente estamos caminhando neste início de Antropoceno a um planeta com clima mais instável e violento, além da evidente escassez de recursos naturais
 
Entre as 9 milhões de espécies biológicas em nosso planeta, somos uma única, controlando a biosfera da Terra, a tal ponto que estamos alterando a composição da atmosfera e o clima de nosso planeta, com fortes consequências para todas as 9 milhões de espécies.
 
Áreas enormes das Américas, Europa e Ásia que eram florestas, há alguns séculos, hoje são áreas cultivadas ou com estradas e áreas urbanas, o que significa forte mudança no uso do solo, com reflexos em várias propriedades que regulam o clima do planeta tais como o balanço radioativo.
 
Hoje, temos cerca de 1,3 bilhão de automóveis circulando na Terra, estima-se que podemos ter 2 bilhões de automóveis em algumas décadas. Parece claro que não se pode continuar dessa forma, pois estamos esgotando rapidamente os finitos recursos naturais de nosso planeta.
 
Para estudar essa questão, um grupo de cientistas mundiais fundou uma atividade chamada em Inglês de “Future Earth”, ou “Terra Futura” (site: http://www.futureearth.org/). Essa iniciativa visa entender como o desenvolvimento de nosso planeta pode se tornar sustentável a longo prazo.
 
O objetivo do Future Earth é produzir o conhecimento científico necessário para minimizar os riscos das mudanças climáticas globais e realizar a transição para a sustentabilidade global, se é que isso pode ser possível.
 
Garantir a sustentabilidade de nossa sociedade vai envolver fortes mudanças de atitude de e para todos nós. A enorme desigualdade na distribuição das riquezas de nosso planeta traz instabilidade política, econômica e social, e é preciso minimizá-la para evitar conflitos ainda mais sérios.
 
Com estas preocupações em mente, as Nações Unidas estruturaram os chamados “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”, que consistem em um conjunto de metas acordadas pelos 193 países membros da ONU, visando ao desenvolvimento sustentável de nosso planeta a longo prazo.
 
Hoje, temos cerca de 1,3 bilhão de automóveis circulando na Terra, estima-se que podemos ter 2 bilhões de automóveis em algumas década
 
Este é um dos resultados da Rio+20, e entraram em vigor em 1 de Janeiro de 2016, com um prazo de realização até 31 de dezembro de 2030. Para cada ODS, são estruturados 169 metas e indicadores globais de acompanhamento da implementação dos ODS. Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são:
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– Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares
– Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição
– Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos
– Garantir educação inclusiva, equitativa e de qualidade
– Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas
– Garantir disponibilidade e manejo sustentável da água
– Garantir acesso à energia barata, confiável, sustentável
– Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável
– Construir infraestrutura resiliente, promover a industrialização inclusiva
– Reduzir a desigualdade entre os países e dentro deles
– Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes
– Assegurar padrões de consumo e produção sustentável
– Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima
– Conservar e promover o uso sustentável dos oceanos
– Proteger, recuperar e promover o uso sustentável das florestas
– Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável
– Fortalecer os mecanismos de implementação e revitalizar a parceria global
 
A figura abaixo ilustra de modo pictórico estes ODS que são abrangentes e visam construir uma nova sociedade em nosso planeta.
 
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Estes objetivos fazem parte da Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável, estruturado pela ONU, onde desenvolvimento sustentável é definido como o desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das futuras gerações de satisfazerem as suas próprias necessidades.
 
Garantir a sustentabilidade de nossa sociedade vai envolver fortes mudanças de atitude de e para todos nós
 
Desenvolvimento sustentável demanda um esforço conjunto para a construção de um futuro inclusivo, resiliente e sustentável para todas as pessoas e todo o planeta.
 
A questão das mudanças climáticas é um ponto central, onde se observa que a mudança do clima já impacta a saúde pública, segurança alimentar e hídrica, migração, paz e segurança.
 
A mudança do clima, se não for controlada, reduzirá os ganhos de desenvolvimento alcançados nas últimas décadas e impedirá possíveis ganhos futuros. As ações relacionadas à mudança do clima darão impulso ao desenvolvimento sustentável.
 
Se conseguirmos atingir a maior parte destes ODS teremos um planeta mais igualitário, justo e sustentável. Os ODS, embora de natureza global e universalmente aplicáveis, dialogam com as políticas e ações nos âmbitos regional e local.
 
Na disseminação e no alcance das metas estabelecidas pelos ODS, é preciso promover a atuação dos governantes e gestores locais como protagonistas da conscientização e mobilização em torno dessa agenda global.
 
O Brasil ao longo dos últimos 10 anos trabalhou em políticas de inclusão que tirou milhões de pessoas da pobreza extrema. Este esforço deve continuar, com a intensificação de políticas sociais visando à integração de milhões de brasileiros na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, trazendo desenvolvimento sustentável e justiça social. Essa é uma tarefa de todos os brasileiros.

Pó de Rocha: Tecnologia de ponta; saiba mais

por Antonio Weber – Agroecologista com certificação orgânica
 
Os solos mais ricos e férteis do mundo tiveram sua origem numa rocha vulcânica e extremamente dura: o basalto!
 
Na natureza, para se formar um centímetro de solo a partir da decomposição da rocha, os geólogos e pedólogos afirmam serem necessários cerca de 500 a 1.200 anos, dependendo da intensidade das reações químicas e biológicas de decomposição.
 
É fantástica a quantidade de elementos minerais nutritivos encontrados no basalto. Aqui no Brasil são poucas ainda as referências de sua utilização em escala comercial na agricultura. Na Europa, sua utilização pode ser considerada uma prática convencional de muitos agricultores.
 
Mais impressionante ainda é a capacidade que o pó de basalto possui em recuperar solos que foram empobrecidos pelos processos de erosão, lixiviação, acidificação natural ou pela aplicação de fertilizantes químicos, e principalmente pela exportação contínua de nutrientes pelas colheitas.
 
Num processo convencional de produção de alimentos, são fornecidos às plantas apenas nitrogênio, fósforo e potássio, chamados de NPK, tornando o solo e sua produção desequilibrados e enfermos. Sabemos que, para uma planta desenvolver-se sadia e equilibrada necessita de 45 micro e macronutrientes, dos quais podemos encontrar no pó de basalto.
 
A importância do solo é muito grande, para toda cadeia alimentar, dentro desta cadeia está o homem, que depende totalmente dele para se alimentar. Do equilíbrio do solo depende toda a vida na Terra. Assim, as plantas crescerão sadias e sem doenças, biologicamente completas. Terão quantidades e proporções ideais de minerais para alimentar qualquer animal e mantê-lo sadio, sem doenças e com vitalidade.
 
Só para dar um exemplo da importância do solo na cadeia alimentar do homem, os solos carentes de magnésio vão produzir culturas deficientes deste mineral, e os animais que delas se alimentarem tornar-se-ão carentes. No homem, as carências de magnésio provocam doenças como: hipertensão, artrose, artrite e muitas outras, uma vez que efetua mais de 300 funções no organismo humano.
 
A presença de uma ampla diversidade de elementos químicos no pó de rocha, com destaques para os elevados teores de fósforo (cerca de 60 vezes mais que um solo de ótima fertilidade), cálcio (10 vezes mais), magnésio (20 a 40 vezes mais), enxofre, potássio, boro, ferro e principalmente o silício, numa proporção elevada de óxidos de silício (7,8%), além de titânio, lítio, cobalto, iodo e tantos outros elementos que a ciência agronômica ainda não estudou os efeitos sobre as plantas.
 
O resultado imediato da aplicação do pó de basalto é o desenvolvimento abundante de raízes das plantas, tornando-as capazes de aumentarem a absorção de nutrientes e conseqüentemente sua capacidade produtiva. Estudos recentes no Brasil o indicam como potencial recuperador de pastagens e de canaviais. A liberação dos nutrientes do pó de basalto é gradual e contínua. As pesquisas apontam que os melhores efeitos são obtidos com o pó de basalto de granulometrias variáveis, isto é, uma mistura de grãos finos e grãos mais grossos.
 
As partículas mais finas têm uma liberação mais rápida de nutrientes, enquanto que os grãos maiores vão liberando seus nutrientes lentamente, de forma homeopática.
 
Mas o maior benefício do basalto é mesmo a produção de alimentos muito mais sadios e riquíssimos em nutrientes, tornando as pessoas e os animais que deles se alimentam igualmente sadios e bem nutridos. Plantas mais sadias, resistentes ao ataque de doenças e pragas.
 
O pó de pedra ou de rocha, não deve ser e não é apresentado como uma receita pronta e completa para o desenvolvimento da agricultura, como foi implantada pelas grandes empresas a revolução verde, com o uso de adubos químicos e venenos. O maior ou menor resultado do uso de pó de rocha nas culturas, não depende exclusivamente do seu uso ou não, mas também da vida biológica do solo. Num solo muito pobre e desgastado, a reação será menor, ao contrário que num solo vivo, que contenha matéria orgânica, sem uso de químicos, venenos e adubação verde.
 
A idéia de que existe uma receita pronta, deve ser desmistificada, as dosagens de pó de rocha devem ser testadas em cada propriedade, começando com pequenas quantidades e ir aumentando até obter o resultado esperado.
 
Fonte: http://www.radiocoracao.org/noticias/po-de-rocha-tecnologia-de-ponta-saiba-mais

Adubação com pó de rocha é barata e ecologicamente correta

Agricultores de diferentes regiões de Santa Catarina estão usando pó de rocha para repor os nutrientes da terra. Um deles é Wilfrit Kunze, de Porto União, no Planalto Norte.

 

No lugar do adubo convencional, ele começou a aplicar basalto moído e se surpreendeu com o resultado. Os custos de produção caíram e, hoje, ele planta milho, feijão, soja e cebola no sistema agroecológico usando basalto misturado com adubo orgânico.

 

Wilfrit associa essa técnica com adubação verde de inverno, plantio direto e rotação de culturas. O sistema tem aumentado a produtividade: no primeiro ano com pó de rocha, o agricultor colheu 180 sacas de milho por alqueire.

 

No ano seguinte, colheu 220 sacas na mesma área. Para o agrônomo Daniel Dalgallo, extensionista do Escritório Municipal da Epagri, o pó de basalto pode substituir com vantagens a adubação sintética. “Com o adubo químico, o produtor se limita a 6 ou 7 nutrientes. O basalto tem 108 elementos químicos.

 

Desses, 42 são importantes para o metabolismo da planta. Com uma nutrição equilibrada, a planta fica mais resistente a doenças”, destaca. Em Porto União, também há testes de aplicação do pó com adubo orgânico em pastagens, no plantio de grãos e na fruticultura.

Na região, mais de 400 agricultores já usam a técnica.

 

Material não agride o meio ambiente

 

De acordo com o biólogo Bernardo Knapik, que há mais de 20 anos estuda o pó de basalto, análises foliares das plantas que receberam a técnica apontam que elas são mais ricas em nutrientes.

 

“O pó de rocha não agride o meio ambiente porque não se dissolve rapidamente. Ele é trabalhado pelos microrganismos e pelas raízes e, assim, o solo se regenera. Já o adubo sintético é solúvel, a planta aproveita o que pode, e o que ela não absorve pode causar problemas ambientais”, compara.

 

Para ser usada na agricultura, a rocha é moída até se transformar em um pó semelhante ao cimento. Mas antes de usar esse material na lavoura, o agricultor deve fazer uma análise do solo e buscar o acompanhamento de um engenheiro agrônomo ou técnico agrícola.

 

Fonte: Portal de Canoinhas